Trump amplia pressão sobre frigoríficos após liberar cota de carne
Presidente dos EUA prepara ordem para produtores processarem sua própria carne, dias depois de abrir importação sem tarifa para conter preços.
O mercado de carne bovina teve mais um capítulo na queda de braço entre Donald Trump e o setor de processamento nos Estados Unidos. Na sexta-feira 21, o presidente anunciou a abertura por 90 dias para a entrada de 300 mil toneladas de carne sem tarifas. A medida busca conter a alta de preços que vem pressionando o consumidor americano.
Dentro desse volume total, a Argentina ficou com uma cota de 100 mil toneladas. Frigoríficos argentinos passaram a acompanhar de perto os próximos passos de Washington, já que a abertura representa uma janela de oportunidade para exportação.
Uma semana depois, na sexta-feira 28, Trump voltou ao tema com um anúncio mais direto contra as grandes processadoras. Ele afirmou que está preparando uma ordem para dar a pecuaristas e agricultores o direito de processar seus próprios alimentos.
Sem citar nomes, o presidente disse que quatro empresas fazem os produtores americanos terem uma vida miserável. Em sua rede social, escreveu que há anos ouve falar do enorme problema que os produtores enfrentam com as grandes processadoras, que muitos consideram um monopólio nefasto.
A fala aumentou a atenção sobre o setor frigorífico global. A JBS, uma das maiores processadoras de carne do mundo, pode ser afetada pelas medidas em estudo na Casa Branca.
O movimento de Trump combina duas frentes. De um lado, a liberação de importação para esfriar os preços internos. De outro, uma pressão regulatória sobre as processadoras que dominam o mercado americano. Para o setor exportador, incluindo os frigoríficos argentinos, o desenrolar dessas ordens deve definir o tamanho real da oportunidade aberta pelos Estados Unidos nos próximos meses.
