Fim da cota chinesa muda rota da carne bovina brasileira
Enquanto o mercado interno ganha peso e o Pará sente mais o aperto, uma nova cota dos EUA surge como alternativa para os frigoríficos.
O esgotamento da cota chinesa para a carne bovina brasileira está mudando a forma como o setor organiza suas vendas. Segundo analista da Datagro ouvido pelo Canal Rural, o mercado interno se torna essencial para escoar a produção agora que o principal destino das exportações fica mais restrito.
A Abrafrigo alerta que o Pará deve ser o estado mais afetado por essa mudança. O motivo é que o estado não tem acesso a outros mercados relevantes para compensar a queda nos embarques para a China, ficando mais exposto ao impacto do fim da cota.
Nesse cenário, uma janela se abriu do outro lado do mundo. A Casa Branca ampliou temporariamente uma cota dos Estados Unidos para importação de carne bovina magra, medida que a Abrafrigo avalia como benéfica para as exportações brasileiras. A entidade afirma que essa abertura ajuda a mitigar o efeito das tarifas chinesas que atingem o Brasil, hoje o maior exportador global de carne bovina.
A medida vale por 90 dias e fortalece os embarques para o segundo maior comprador do produto brasileiro no mercado global, segundo a Forbes Agro. Trump confirmou que os Estados Unidos vão comprar 300 mil toneladas de carne sem tarifas, com a compra entrando em vigor em setembro e dividida em três parcelas. Para a Abiec, a medida pode abrir espaço adicional ao setor brasileiro.
A abertura da cota americana também tem relação com a própria realidade da indústria frigorífica dos Estados Unidos. O setor está reduzindo sua capacidade de processamento em meio a prejuízos e à menor disponibilidade de gado no país, o que ajuda a explicar a necessidade de importar mais carne de fora.
No mercado interno, os preços já mostram sinais de acomodação. Em junho, o preço médio da arroba da carne bovina negociada no atacado da Grande São Paulo seguiu superior ao do animal vivo, mas essa vantagem da carne sobre o boi diminuiu no mês, segundo dados da Agrolink.
O conjunto de mudanças reforça um momento de reacomodação para a cadeia da carne bovina brasileira, que precisa equilibrar a menor demanda chinesa com novas oportunidades no mercado americano e maior dependência do consumo interno.
