Cota dos EUA alivia pecuária brasileira em meio a tensões com China e UE
Brasil disputa espaço em três frentes ao mesmo tempo: aproveita nova cota americana, sofre com tarifa chinesa e enfrenta impasse na exportação para a Europa.
O governo dos Estados Unidos confirmou a ampliação temporária de uma cota para importação de carne bovina magra sem tarifas. São 300 mil toneladas, divididas em três parcelas, com entrada em vigor em setembro e validade de 90 dias.
O Ministério da Agricultura avalia que a medida representa vantagem econômica relevante para o Brasil. Segundo a pasta, a tarifa hoje aplicada às importações americanas é de 26,4%. O volume incluído na nova cota fica isento dessa cobrança, o que reduz significativamente o custo de entrada do produto brasileiro no mercado americano.
Para a Abrafrigo, o momento é oportuno. A entidade afirma que o Brasil precisa aproveitar essa abertura porque ela ajuda a mitigar o impacto das tarifas chinesas sobre as exportações do país, hoje o maior exportador global de carne bovina. A China é o segundo maior comprador do produto brasileiro no mercado internacional.
O esgotamento da cota chinesa preocupa principalmente o Pará. Segundo a Abrafrigo, o Estado deve ser o mais afetado pela restrição, já que não tem acesso a outros mercados relevantes para escoar a produção.
Enquanto isso, a União Europeia informou que vai suspender as importações de carne do Brasil a partir de 3 de setembro. Abiec e ABPA disseram que estão em tratativas sobre o tema.
A situação se complica porque o Mercosul não conseguiu fechar acordo sobre como dividir a cota de carne bovina destinada à União Europeia. A reunião de chanceleres do bloco, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, terminou em impasse. Ficou indefinida a repartição de 99 mil toneladas anuais com tarifa reduzida de 7,5%.
Com frentes abertas em diferentes mercados, o setor de carne bovina brasileiro navega entre uma oportunidade pontual nos Estados Unidos e restrições crescentes na China e na Europa. O cenário exige atenção redobrada dos frigoríficos e produtores nas próximas semanas.
